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Rácios financeiros para comparar a empresa com a concorrência

Margem bruta, liquidez, endividamento e autonomia financeira: como calcular e ler os rácios que ajudam a comparar a sua empresa com a concorrência.

Contas Organizadas · 3 min de leitura · atualizado a

Comparar só a faturação com a da concorrência pode enganar: duas empresas podem vender o mesmo e estar em situações financeiras muito diferentes. Os rácios financeiros dão uma leitura quantitativa das contas e servem de termo de comparação.

Pondo lado a lado os rácios da sua empresa e os de um concorrente, percebe como se posiciona, tanto na operação como nas finanças. Reunimos os mais úteis em três grupos.

Rentabilidade: quanto fica de cada venda

Os rácios de rentabilidade mostram quanto a empresa ganha com aquilo que vende e com o que investiu. Os clássicos são a rentabilidade do capital próprio (resultado líquido a dividir pelo capital próprio) e a rentabilidade do ativo (resultado a dividir pelo ativo total). Para comparar com a concorrência, um dos mais simples é a margem bruta:

  • margem bruta = (vendas menos o custo das mercadorias vendidas) / vendas

Numa empresa comercial, esse custo corresponde, na demonstração de resultados do SNC, à rubrica do custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas (CMVMC). O resultado, em percentagem, indica que parte da receita a empresa ganha com as vendas, no total ou em cada linha de produtos. Quanto mais alta, melhor: sobra mais dinheiro para pagar as outras despesas do negócio ou para reinvestir.

Liquidez: consegue pagar as contas a tempo

Os rácios de liquidez dizem se a empresa está em condições de cumprir os compromissos financeiros de curto prazo e mostram como está a reagir às condições económicas do momento. Há dois de uso corrente:

  • liquidez geral = ativo corrente / passivo corrente
  • liquidez reduzida = (ativo corrente menos inventários) / passivo corrente

Uma liquidez geral elevada significa que os ativos de curto prazo chegam, com margem, para cobrir as dívidas de curto prazo. A empresa fica também mais preparada para aguentar uma crise passageira. A liquidez reduzida é mais exigente: deixa os inventários de fora e mostra se a empresa consegue pagar o passivo corrente sem precisar de vender o que tem em armazém. Também aqui, quanto mais alto o valor, mais sólida é a situação financeira.

Estrutura financeira: quem paga os ativos

Os rácios de estrutura financeira, também chamados rácios de alavancagem, servem para avaliar a solvência a longo prazo. Mostram se o negócio assenta sobretudo em capitais próprios ou em dinheiro de terceiros. Há dois que se completam:

  • endividamento = passivo / ativo total
  • autonomia financeira = capital próprio / ativo total

O endividamento costuma ser apresentado em percentagem e indica que parte dos ativos foi paga com recursos de terceiros: quanto mais baixo, mais a empresa se financia com capitais próprios em vez de dívida. A autonomia financeira lê-se ao contrário: quanto mais alta, menor a dependência de terceiros.

Como tirar partido dos rácios

Um rácio isolado diz pouco: compare-o com o dos anos anteriores e com o de empresas do mesmo setor. Peça ao seu contabilista que calcule estes indicadores no fecho de contas e que os acompanhe consigo de ano para ano. Na Contas Organizadas, podemos ajudar a interpretá-los e a perceber o que dizem sobre a posição da sua empresa face à concorrência.

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Este artigo é informativo e reflete a legislação à data de publicação. Não dispensa a análise do seu caso concreto.